quarta-feira, 15 abril, 2026

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Economia em novembro: juros altos, bolsa em alta

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Juros mantidos em 15% para conter inflação persistente

O Banco Central (BC) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, contrariando o governo federal, que defende a redução dos juros para estimular a economia. A decisão visa conter a inflação, que apesar de desacelerar, permanece acima da meta anual. Em outubro, o índice oficial de inflação registrou alta de 0,09%, mas o acumulado em 12 meses segue elevado, justificando a manutenção dos juros altos por um período prolongado.

Essa postura do BC gera tensão com o governo, que enfrenta ainda desafios na reforma tributária e no debate sobre o Imposto sobre Grandes Fortunas, atualmente em análise no Supremo Tribunal Federal (STF). Muitas empresas relatam dificuldades para se adaptar às novas regras fiscais, o que pode impactar investimentos e crescimento econômico.

B3 registra 14ª alta consecutiva e supera 155 mil pontos

Em meio ao cenário de juros elevados, a bolsa brasileira (Ibovespa) alcançou a 14ª alta seguida, ultrapassando os 155 mil pontos. Em outubro, o índice subiu 3,82%, acumulando valorização de 29,08% em 2025, a maior desde 2019. O desempenho foi impulsionado por ações de setores como petroleiras, mineradoras e bancos.

No mercado cambial, o dólar comercial fechou em queda, cotado a R$ 5,307, recuando 0,55%. Investidores aguardam a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e os dados oficiais da inflação de outubro para avaliar a possibilidade de cortes na Selic já a partir de janeiro de 2026, o que poderia estimular ainda mais a bolsa.

PIB desacelera e economia enfrenta crescimento lento

Apesar do recorde histórico no emprego, a economia brasileira mostra sinais de desaceleração. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,4% no segundo trimestre de 2025, uma queda significativa em relação ao período anterior. Para o ano, a projeção de crescimento foi reduzida para 2,0%, com expectativa de desaceleração para 1,5% em 2026.

O principal desafio permanece o combate à inflação, que exige juros altos, mas resulta em crescimento econômico mais lento. Esse cenário paradoxal exige equilíbrio delicado entre controle de preços e estímulo à atividade produtiva.

Governo lança nova fase do Contrata+Brasil para agricultura familiar

Em um movimento para fortalecer a economia regional e a segurança alimentar, o governo federal lançou uma nova fase do programa Contrata+Brasil, que visa ampliar as compras públicas de alimentos da agricultura familiar. O programa facilita o planejamento da produção dos agricultores, conectando-os diretamente com a demanda de órgãos públicos, como escolas e o Exército.

Desde o início do programa em fevereiro de 2025, já foram movimentados R$ 8,3 milhões, com mais de mil órgãos públicos e 6,6 mil fornecedores cadastrados. A iniciativa também está alinhada aos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil na COP30, promovendo práticas sustentáveis e valorizando a biodiversidade local.

Empregos verdes ganham espaço com projetos florestais no Brasil

O Banco Mundial destaca o potencial das florestas para gerar empregos e promover desenvolvimento econômico sustentável. No Brasil, projetos de reflorestamento e manejo sustentável no Cerrado devem criar cerca de 1.800 empregos diretos e 800 indiretos, beneficiando populações rurais e promovendo a restauração de ecossistemas.

Para cada 100 empregos florestais, são gerados em média 73 postos adicionais na economia, incluindo atividades como ecoturismo e produção de produtos não-madeireiros. Essa estratégia reforça a importância da economia verde para o futuro do país.

Photo by Mathieu Stern on Unsplash

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