quarta-feira, 15 julho, 2026

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Brasil negocia tarifas com EUA enquanto bolsa bate

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Diplomacia e mercado em movimento

Enquanto o Brasil tenta reverter as tarifas impostas pelos Estados Unidos, o mercado financeiro celebra recordes históricos. O cenário revela uma economia em transição: vulnerável às pressões externas, mas resiliente nos investimentos internos.

O front diplomático

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, segue em negociações diretas com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Nesta quinta-feira (13), os dois se reúnem em Washington para discutir as tarifas comerciais que afetam empresas brasileiras. O objetivo é claro: reverter as tarifas de 40% impostas por Donald Trump.

As conversas não são novas. Vieira e Rubio já se encontraram na quarta-feira (12) em Niágara, durante a reunião do G7, onde discutiram o avanço das tratativas bilaterais. O Brasil enviou uma proposta formal aos Estados Unidos no dia 4 de novembro, após reunião virtual entre as equipes técnicas dos dois países.

Plano Brasil Soberano ampliado

Reconhecendo o impacto das tarifas, o governo federal ampliou o acesso ao Plano Brasil Soberano na quarta-feira (12). A Portaria 21, publicada pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reduz de 5% para 1% o impacto mínimo nas exportações exigido para que empresas acessem linhas de financiamento emergencial.

A mudança é significativa: anteriormente, apenas empresas, microempreendedores individuais e produtores rurais que comprovassem impacto superior a 5% do faturamento bruto nas exportações para os Estados Unidos poderiam solicitar o programa. Agora, o critério considera empresas que tenham 1% do faturamento das exportações para os EUA, entre julho de 2024 e junho de 2025, impactado pelas tarifas.

Bolsa em euforia histórica

Enquanto a diplomacia trabalha nos bastidores, a bolsa brasileira segue em trajetória ascendente. O Ibovespa encerrou segunda-feira (10) aos 155.257 pontos, com alta de 0,77%, marcando a 14ª alta consecutiva. O índice bateu recorde pela 11ª vez seguida e está próximo de igualar a sequência de 15 altas entre maio e junho de 1994, período anterior ao Plano Real.

Na quinta-feira (13), porém, o mercado apresentou uma correção: o Ibovespa fechou com perdas de 0,30%, aos 157.162,43 pontos. Agentes financeiros realizaram lucros e repercutiram resultados corporativos, incluindo o balanço do Banco do Brasil, que cortou sua previsão para o lucro de 2025 após queda de 60% no lucro no terceiro trimestre.

Dólar em queda e expectativas de juros menores

O dólar comercial fechou segunda-feira (10) vendido a R$ 5,307, com recuo de R$ 0,029 (-0,55%). A divisa segue em trajetória de queda: acumula recuo de 14,12% em 2025 e caiu 1,36% apenas em novembro. Na quinta-feira (13), o contrato de dólar futuro para dezembro subia 0,06% na B3, aos R$ 5,3175.

A expectativa do mercado se concentra na possibilidade de redução da Taxa Selic (juros básicos da economia). Com a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) na terça-feira (11) e da inflação oficial em outubro, investidores buscam sinais sobre quando o Banco Central deve começar a baixar os juros. Juros mais baixos estimulam a migração de investimentos para a bolsa de valores.

Varejo em ritmo lento

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo recuaram 0,3% em setembro ante agosto, mas subiram 0,8% ante setembro do ano passado. A expectativa da Reuters era de alta de 0,3% na comparação mensal e avanço de 2% sobre um ano antes.

Apesar disso, analistas apontam que ações de varejo devem se beneficiar da Black Friday e das campanhas comerciais de novembro. Casas Bahia e Mercado Livre aparecem como destaques nas carteiras de investimento.

O contexto global

O fim do shutdown do governo americano, após 43 dias, trouxe alívio aos mercados. Donald Trump sancionou a lei que estende o financiamento do governo norte-americano até 30 de janeiro. Com isso, o programa de assistência alimentar foi retomado, centenas de milhares de servidores federais receberão salários atrasados e o sistema de controle de tráfego aéreo foi normalizado.

A retomada das divulgações de dados econômicos pelos órgãos federais americanos nos próximos dias será crucial para a calibragem das apostas sobre os juros nos EUA, afetando diretamente os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

O que muda para você

Para empresas exportadoras: o Plano Brasil Soberano agora é mais acessível, com critério de impacto reduzido em 80%. Se sua empresa exporta para os EUA, verifique se se enquadra na nova portaria.

Para investidores: a bolsa brasileira segue atrativa, mas com volatilidade esperada. A decisão do Copom sobre juros será determinante para os próximos movimentos.

Para consumidores: a queda do dólar reduz pressão inflacionária sobre produtos importados. Juros menores devem estimular crédito e consumo nos próximos meses.

Photo by Towfiqu barbhuiya on Unsplash

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