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Economia brasileira desacelera com juros altos e tarifas dos EUA
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025 foi revisado para baixo pelo Ministério da Fazenda, que agora projeta alta de 2,2%, contra 2,3% estimados anteriormente. A desaceleração é atribuída aos efeitos cumulativos da política monetária restritiva, com a taxa Selic em 15%, e à contração do crédito, que impactam a atividade econômica doméstica. Apesar do desemprego permanecer em níveis historicamente baixos, há redução da população ocupada e desaceleração no ritmo de crescimento dos rendimentos no terceiro trimestre.
Impacto das tarifas dos EUA e negociações bilaterais
Entre agosto e outubro de 2025, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram US$ 2,5 bilhões, uma redução de 24,9% em relação ao mesmo período de 2024, devido às tarifas impostas por Washington. O governo brasileiro tem buscado diversificar mercados e apoiar o setor exportador, além de manter diálogo com os EUA para tentar reduzir as tarifas, com expectativa de encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Bolsa de valores em alta histórica
Em contraste com a desaceleração econômica, a bolsa brasileira (Ibovespa) registrou sua 14ª alta consecutiva, ultrapassando os 155 mil pontos, um recorde próximo ao da série histórica de 1994. O índice subiu 0,77% na última segunda-feira (10), impulsionado por ações de petroleiras, mineradoras e bancos. Em 2025, o Ibovespa acumula valorização de 29,08%, a maior desde 2019. O dólar comercial fechou em queda, cotado a R$ 5,307, refletindo expectativas de possível redução da taxa Selic em 2026, caso a inflação oficial venha abaixo do previsto.
Perspectivas para inflação e política monetária
O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou ligeiramente sua projeção para o crescimento brasileiro em 2025, mas alerta para desaceleração mais forte em 2026. A inflação média anual estimada pelo FMI é de 5,2% para este ano, com expectativa de queda para 4,0% em 2026, próximo ao centro da meta oficial de 3,0%. O mercado financeiro aguarda a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) para analisar o tom da política de juros, que pode indicar início do corte da Selic já em janeiro de 2026.
Medidas do governo para mitigar impactos
O governo federal ampliou o acesso de empresas ao Plano Brasil Soberano, programa que visa apoiar setores afetados pelas tarifas externas, buscando minimizar os impactos negativos sobre as exportações e a economia.
Photo by Mirna Wabi-Sabi on Unsplash






