domingo, 31 maio, 2026

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Economia desacelera com juros altos e varejo recua

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Governo reduz projeção de PIB e admite inflação acima da meta

O Ministério da Fazenda revisou para baixo suas expectativas para a economia brasileira nesta quinta-feira (13). A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 caiu de 2,3% para 2,2%, refletindo o impacto dos juros elevados na atividade econômica. Para 2026, a estimativa foi mantida em 2,4%.

A desaceleração já era esperada. Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), os efeitos cumulativos da política monetária restritiva — com a taxa Selic em 15% ao ano — continuam impactando investimentos, consumo e crédito. No terceiro trimestre, o ritmo de atividade mostrou sinais claros de enfraquecimento.

Varejo cai e sinaliza pressão no consumo

Os dados do comércio varejista reforçam a desaceleração. As vendas do varejo caíram 0,3% em setembro na comparação mensal, contrariando expectativas de alta de 0,3%. Na comparação anual, o avanço foi de apenas 0,8%, bem abaixo da projeção de 2%.

O resultado é preocupante porque o varejo é um termômetro da economia real. Quando as famílias reduzem compras, sinaliza que a renda está apertada ou a confiança está abalada. Regionalmente, 15 das 27 unidades da federação registraram queda, com destaque para Maranhão (-2,2%) e Roraima (-2,0%). São Paulo (-1,6%) e Paraná (-1,8%) também ficaram entre as maiores quedas.

Inflação segue acima da meta, mas com perspectiva de queda

Outro ponto crítico: a inflação. O governo projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2025 com alta de 4,6%, acima do teto da meta de 4,5%. Para 2026, a expectativa é de 3,5%, convergindo para 3,2% no segundo trimestre de 2027.

A Fazenda atribui a perspectiva de menor inflação a fatores como a valorização do real, menor inflação no atacado agropecuário e industrial, e o excesso de oferta global de bens. Também conta com a bandeira amarela nas tarifas de energia em dezembro, que impõe custo menor ao consumidor.

Mercado financeiro reage com cautela

Na bolsa, o Ibovespa operou em queda de 0,07% nesta quinta, fechando aos 157.632 pontos, quase encostando na máxima histórica de 157.748 pontos atingida na véspera. O dólar avançou 0,10%, cotado a R$ 5,2975.

Investidores monitoram dois cenários: o fim do shutdown americano e as movimentações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Internamente, as atenções se voltam para indicadores econômicos e o ambiente político, que influenciam as projeções para juros e eleições.

O que muda para você

Se você trabalha por conta própria ou em pequenas empresas, a desaceleração do varejo pode significar menos clientes. Quem pensa em pedir empréstimo deve saber que o crédito segue restritivo com juros altos. Por outro lado, há esperança: o governo projeta que a política monetária se torne menos contracionista em 2026, com queda de juros, o que deve tornar o mercado de crédito menos restritivo.

Photo by John McArthur on Unsplash

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