quarta-feira, 15 abril, 2026

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Brasil leva recorde de startups ao Web Summit Lisboa

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Maior delegação brasileira em história de evento reforça posição do país na inovação global

O Brasil desembarcou em Lisboa com força máxima. Entre os dias 10 e 13 de novembro, a capital portuguesa recebe a décima edição do Web Summit, e o país chega com sua maior delegação de todos os tempos: entre 340 e 380 startups e empresas inovadoras, dependendo da contagem final. O número representa muito mais que um recorde nacional — é um sinal concreto de que o ecossistema de tecnologia brasileiro não apenas cresce, mas se consolida como referência na América Latina.

A delegação, coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), chega a um evento que reúne mais de 70 mil participantes, cerca de 2.500 startups de diversos países e mais de mil investidores. Gigantes como Nvidia, IBM, Microsoft, Meta, Qualcomm, Apple e TikTok marcam presença, criando um ambiente propício para negócios e conexões estratégicas.

Os números que explicam o crescimento

Os dados do Observatório Sebrae Startups revelam a dimensão da transformação em curso. Em agosto de 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 20 mil empresas inovadoras ativas — um crescimento de 30% em apenas um ano, comparado a agosto de 2024. Esse cenário coloca o país na 27ª posição global em quantidade de startups, conforme o Startup Ecosystem Index 2025 publicado pela StartupBlink. Para contexto: os Estados Unidos lideram com aproximadamente 1,1 milhão de startups, seguidos pela Índia com 493,5 mil.

A escala é impressionante quando se considera que, globalmente, nascem em média 137 mil startups por dia. O Brasil, com suas 20 mil empresas inovadoras, representa um ecossistema pulverizado e dinâmico, com inovação deixando de ser concentrada nos grandes centros e se espalhando por diferentes regiões do país.

Retorno concreto de edições anteriores

O Web Summit não é apenas um espaço de networking. Nos últimos três anos, as startups brasileiras que participaram do evento fecharam negócios que movimentaram aproximadamente 15 milhões de euros. Esse histórico de resultados concretos explica por que a presença brasileira cresceu exponencialmente — não é apenas esperança, é comprovação de oportunidades reais.

Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, reforça essa visão: “O Brasil abriga mais de 20 mil startups e esse número não para de crescer. O país é hoje uma referência em inovação na América Latina, com soluções tecnológicas escaláveis em diversos setores que vêm despertando o interesse de investidores e empresas em todo o mundo.”

Inteligência Artificial como fio condutor

A inteligência artificial é o grande destaque do Web Summit 2025. Segundo dados apresentados durante o Seminário de Internacionalização Brasil-Portugal, realizado na segunda-feira (10), o potencial de investimentos em startups de IA está em 380 bilhões de dólares neste ciclo, podendo chegar a 500 bilhões em 2026. Isso pressiona o ecossistema por qualidade, governança e impacto — exigências que as startups brasileiras precisam incorporar para competir globalmente.

Gil Azevedo, presidente executivo da Unicorn Factory Lisboa, resume bem a realidade: todas as startups hoje em dia acabam por incorporar inteligência artificial de uma forma ou de outra. Não é mais diferencial; virou requisito.

Setores em destaque: de bioeconomia a turismo

O Pavilhão Brasil apresenta uma programação diversificada, com painéis, apresentações e pitches abrangendo múltiplos setores. Destacam-se soluções ligadas à bioeconomia, saúde, educação, agronegócio sustentável, turismo e economia criativa. A Embratur, por exemplo, levou oito startups focadas em turismo, oferecendo soluções com foco em sustentabilidade, dados e novas experiências.

Essa diversidade reflete uma estratégia clara: o Brasil não aposta todas as fichas em um único setor. Há força distribuída em múltiplas frentes, o que reduz riscos e amplia oportunidades de conexões com investidores de diferentes áreas.

Diversidade e inclusão ganham espaço

O Web Summit também reforça seu compromisso com a diversidade. Em 2024, 44% das startups presentes eram fundadas por mulheres — o valor mais alto de sempre — e as mulheres representaram 42% dos participantes e 37% dos oradores. Esses números não são apenas simbólicos; indicam que o ecossistema de inovação está se tornando mais inclusivo e aproveitando talento de forma mais ampla.

O que está em jogo

Para as startups brasileiras, o Web Summit é mais que um evento de networking. É uma oportunidade transformadora de acessar capital global, estabelecer parcerias estratégicas com empresas multinacionais e validar soluções no mercado internacional. Maria Paula Velloso, gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil, é clara sobre isso: “Participar de um evento como o Web Summit Lisboa é uma oportunidade transformadora para todas as startups brasileiras — estejam elas no início da jornada ou já trilhando caminhos mais consolidados.”

A maior delegação brasileira em história do evento não é coincidência. É resultado de políticas públicas de apoio à inovação, da maturidade crescente do ecossistema e da percepção global de que o Brasil é um celeiro de talento e soluções escaláveis. Nos próximos dias, em Lisboa, essa aposta será testada. Os números, porém, já falam por si.

Photo by Dan Taylor on Unsplash

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