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IPCA-15 avança para 0,62% e desafia expectativas do mercado
A inflação prévia de novembro surpreendeu analistas nesta terça-feira (26) com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançando para 0,62%, acima das projeções que apontavam 0,50%. O resultado reacende debates sobre o ritmo de queda dos juros e pressiona as expectativas para 2026.
O indicador, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), marca o maior valor para novembro desde 2021, quando registrou 1,17%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 alcançou 4,77%, comparado aos 4,47% do período anterior.
O que puxou a inflação para cima
Os preços dos alimentos foram os principais vilões da aceleração inflacionária. Além disso, passagens aéreas também contribuíram significativamente para o resultado acima do esperado, conforme análise do Itaú BBA. O banco destaca ainda uma deterioração qualitativa na inflação, com aceleração nos preços dos serviços subjacentes.
Impacto nas expectativas de juros
A surpresa inflacionária reforça a cautela do mercado financeiro. A XP alertou que os riscos para sua previsão da taxa terminal da Selic — atualmente em 13,25% — estão inclinados para cima, sinalizando um cenário inflacionário mais agressivo nos próximos meses.
O Banco Central, que mantém a Selic em 15%, reforçou na ata de sua última reunião que manterá a taxa nesse patamar por um período bastante prolongado para garantir que a inflação atinja a meta de 3%.
Contexto mais amplo
O resultado choca com o otimismo que dominava o mercado após a inflação de outubro desacelerar para 0,09%, o menor patamar mensal desde 1998. Aquele resultado havia alimentado esperanças de cortes de juros mais rápidos, mas o IPCA-15 de novembro recoloca a inflação no centro das preocupações.
As estimativas do mercado financeiro para a inflação acumulada de 2025 foram reduzidas para 4,55%, ainda acima do teto da meta de tolerância estabelecido em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional.





