Novas classificações indicativas entram em vigor em 2026
O Brasil está prestes a implementar mudanças significativas nas regras de acesso de crianças e adolescentes a plataformas digitais e serviços de inteligência artificial. A partir de 17 de março de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) assumirá a responsabilidade de classificar indicativamente esses serviços, substituindo as auto-classificações feitas pelas próprias empresas.
O que muda para cada faixa etária
As novas diretrizes estabelecem recomendações claras por tipo de serviço:
Aplicativos de mensagem serão recomendados a partir dos 12 anos. Redes sociais passarão a ser indicadas para maiores de 16 anos — uma elevação significativa em relação às práticas atuais. Quanto aos chatbots de IA generativa, como ChatGPT e Gemini, a classificação foi reduzida para 13 anos após alertas do comitê consultivo do MJSP, que apontou que uma restrição maior limitaria o uso educacional dessas ferramentas nas escolas.
Cronograma de implementação
As novas diretrizes para os eixos tradicionais entram em vigor em 17 de novembro de 2025. As regras de interatividade — que definem como plataformas devem se comportar com usuários menores — começam a valer em 17 de março de 2026, coincidindo com a entrada em vigor da Lei ECA Digital, sancionada pelo presidente Lula em setembro.
O que a Lei ECA Digital exige
A legislação obriga plataformas digitais a implementarem camadas extras de segurança para crianças e adolescentes. Uma das principais obrigações é a verificação obrigatória de idade de todos os usuários. O objetivo é identificar quem são os menores dentro do público geral para evitar interações impróprias e garantir proteção adequada.
A classificação indicativa renovada funcionará como instrumento orientador para essas medidas de proteção, criando um padrão nacional para o que é considerado apropriado em cada faixa etária.
Contexto e importância
Essa mudança representa um avanço na regulação do ecossistema digital brasileiro, alinhando-se a tendências globais de proteção de menores online. Diferentemente do modelo anterior, em que empresas como OpenAI e Google classificavam seus próprios serviços, o novo sistema centraliza essa decisão em órgão governamental, buscando maior rigor e uniformidade.
Para pais, educadores e plataformas, as mudanças exigem adaptação. Escolas, em particular, precisarão se adequar às novas restrições ao usar IA em sala de aula, enquanto redes sociais terão de implementar sistemas de verificação de idade mais robustos.




