quarta-feira, 15 abril, 2026

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Brasil mostra força em inovação no Web Summit Lisboa

Delegação com 370 startups marca presença brasileira em maior evento de tecnologia europeu

O Brasil consolidou sua posição como referência em inovação na América Latina ao desembarcar no Web Summit Lisboa 2025 com uma delegação recorde de mais de 370 startups e empresas inovadoras. O evento, que ocorre de 10 a 13 de novembro em Portugal, reúne mais de 70 mil participantes e marca um momento estratégico para a internacionalização do ecossistema tecnológico brasileiro.

A presença massiva foi coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O Pavilhão Brasil foi oficialmente inaugurado nesta terça-feira (11 de novembro) pelos presidentes das duas instituições, Jorge Viana e Décio Lima, consolidando o compromisso com a expansão internacional das soluções tecnológicas brasileiras.

Nordeste em evidência: 23% da delegação brasileira

Um destaque importante é a participação expressiva do Nordeste na delegação. Das 151 startups selecionadas pela ApexBrasil, 35 são da região nordestina — representando 23,18% do total. Esse número reflete a descentralização do ecossistema de inovação no país. Segundo dados do Observatório Sebrae Startups, o Nordeste é berço de cerca de 24,7% das startups brasileiras, consolidando-se como a segunda região que mais concentra startups no Brasil, atrás apenas do Sudeste (35,8%).

Entre as empresas nordestinas em destaque está a Just Travel (BA), uma plataforma de gerenciamento para o setor de turismo que busca captar investimentos estrangeiros e expandir operações na Europa.

Brasil lidera remuneração em tecnologia na América Latina

Enquanto o país se posiciona globalmente como polo de inovação, dados recentes mostram outra dimensão competitiva: o Brasil lidera salários em tecnologia na América Latina. Segundo relatório de 2025 da multinacional de recursos humanos Deel, engenheiros e cientistas de dados brasileiros recebem, em média, US$ 67 mil anuais — equivalente a R$ 358,9 mil por ano ou R$ 31,8 mil mensais.

Esse valor supera significativamente México (US$ 48 mil anuais) e Argentina (US$ 42 mil anuais). Porém, mantém distância considerável dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, onde a remuneração média chega a US$ 150 mil anuais — mais que o dobro da média brasileira.

A análise revela também uma disparidade interna importante: enquanto áreas técnicas apresentam salários competitivos, profissionais de vendas, marketing, produtos e design ainda estão distantes dos padrões das principais potências globais.

Investimentos bilionários em infraestrutura digital

Além da presença em eventos internacionais, o Brasil avança em infraestrutura tecnológica. A operadora de data centers Omnia, controlada pela Pátria Investimentos, anunciou a construção do Data Center Pecém no Ceará, com investimento de até US$ 2 bilhões e capacidade inicial de 200 MW de TI — colocando-o entre os maiores da América Latina. O empreendimento faz parte de um megaprojeto de R$ 50 bilhões que terá o TikTok como cliente âncora.

Inovação pública digital na agenda climática

Em movimento paralelo, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) lançou na COP30 uma agenda estratégica de infraestruturas e bens públicos digitais. O destaque foi o reconhecimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) como primeiro Bem Público Digital brasileiro no catálogo internacional da Digital Public Goods Alliance (DPGA), marcando a convergência entre inovação, sustentabilidade e justiça social.

Micro e pequenas empresas como motor econômico

O contexto de expansão internacional das startups acontece em cenário favorável. Em 2024, micro e pequenas empresas corresponderam a 96% da abertura de novas empresas no Brasil, segundo o Sebrae. Dos 3,3 milhões de empreendimentos registrados, 3,2 milhões foram de micro e pequenos negócios (MEI). Juntas, essas empresas movimentam cerca de R$ 420 bilhões anuais, representando 30% do PIB.

Para 2025, especialistas apontam que pequenos negócios devem investir em personalização de produtos, adotar tecnologias como inteligência artificial e equilibrar inovação com propósito sustentável para prosperar em cenário dinâmico.

O que muda para o ecossistema

A presença brasileira massiva em Lisboa sinaliza consolidação de estratégia de internacionalização. Com mais de 20 mil startups no país e crescimento contínuo, o Brasil busca atrair investimentos estrangeiros, estabelecer parcerias e posicionar soluções tecnológicas em mercados desenvolvidos. A descentralização com participação nordestina reforça a diversificação geográfica do ecossistema.

Paralelamente, investimentos em infraestrutura digital e reconhecimento de bens públicos digitais indicam que o país não apenas exporta soluções privadas, mas constrói capacidades de inovação com impacto público e ambiental.

Photo by Mathias Reding on Unsplash

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