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Delegação recorde em Lisboa marca aposta brasileira na internacionalização
O Brasil chegou ao Web Summit Lisboa 2025 com uma delegação impressionante: mais de 370 startups e empresas inovadoras de todas as regiões do país. O evento, realizado entre 10 e 13 de novembro na capital portuguesa, reúne mais de 70 mil pessoas e é considerado um dos maiores encontros globais de tecnologia e inovação. A presença massiva brasileira foi coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Sebrae.[1][2]
O Pavilhão Brasil foi oficialmente inaugurado em 11 de novembro, às 15h, pelos presidentes da ApexBrasil, Jorge Viana, e do Sebrae, Décio Lima. O evento contou com a presença de autoridades de peso, incluindo o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, e o cônsul Alessandro Candeas. Jorge Viana destacou o compromisso da agência: “A ApexBrasil mantém seu compromisso de apoiar a internacionalização das startups brasileiras e o Web Summit é uma das principais iniciativas para alcançar esse objetivo”.[1]
O que muda para as startups brasileiras
A participação em larga escala no Web Summit representa uma oportunidade estratégica para as empresas brasileiras expandirem seus negócios internacionalmente. As startups levadas ao evento apresentam soluções escaláveis com potencial real de expansão global. Esse tipo de vitrine internacional é fundamental para empresas em estágio de crescimento que buscam investidores, parcerias e novos mercados.
Salários em tech: Brasil lidera América Latina
Enquanto as startups brasileiras ganham visibilidade internacional, o mercado doméstico de tecnologia mostra força. O Brasil é líder em remuneração de profissionais de tecnologia na América Latina, segundo relatório da Deel que analisou mais de 1 milhão de contratos em 150 países.[3]
Os números são expressivos: engenheiros e cientistas de dados brasileiros recebem, em média, US$ 67 mil por ano — o equivalente a cerca de R$ 358,9 mil anuais, ou R$ 31,8 mil mensais. Esse valor supera significativamente o México (US$ 48 mil) e Argentina (US$ 42 mil).[3]
Porém, há um detalhe importante que revela desigualdade interna: profissionais de vendas, marketing, produtos e design ainda estão distantes dos padrões das principais potências globais. Enquanto isso, os Estados Unidos, Canadá e Reino Unido oferecem salários médios de US$ 150 mil anuais — mais que o dobro da média brasileira.[3]
Micro e pequenas empresas: o motor do crescimento
Além das startups de alto crescimento, o ecossistema de pequenos negócios brasileiro também aquece. Em 2024, micro e pequenas empresas corresponderam a 96% da abertura de novas empresas no Brasil. Dos 3,3 milhões de empreendimentos registrados, 3,2 milhões foram de micro e pequenos negócios (MEI).[4]
Esse segmento movimenta cerca de R$ 420 bilhões anuais e representa 30% do PIB nacional, reforçando sua importância estratégica. Para 2025, especialistas apontam que pequenos negócios devem investir em personalização de produtos e serviços, além de adotar tecnologias inovadoras como inteligência artificial para otimizar operações.[4]
Inovação pública e transformação digital
O Brasil também avança na modernização do Estado. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) lançou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como primeiro Bem Público Digital brasileiro, reconhecido internacionalmente como Rural Environmental Registry (RER) pela Digital Public Goods Alliance (DPGA).[5]
Essa iniciativa marca o posicionamento estratégico do país em unir inovação, sustentabilidade e justiça social. A ministra Esther Dweck reforçou: “A tecnologia deve andar lado a lado com a sustentabilidade e com o compromisso com a justiça social”.[5]
O contexto maior: Brasil em transformação
Os eventos desta semana refletem um Brasil em movimento. De um lado, startups buscando mercados globais em Lisboa. Do outro, o Estado modernizando suas estruturas e o mercado de trabalho em tech oferecendo salários competitivos regionalmente. A participação do Brasil no XXX Congresso Internacional do CLAD, em Assunção, reforça ainda mais esse compromisso com a transformação digital e cooperação federativa.[6]
O secretário extraordinário para Transformação do Estado, Francisco Gaetani, sintetizou bem o desafio: “A democracia depende de um Estado que entregue”. A transformação digital não é apenas questão tecnológica — é sobre capacidade estatal, engajamento coletivo e senso de propósito.[6]
Photo by Per Lööv on Unsplash






