O Brasil mostra força no maior evento de inovação do mundo
Enquanto Lisboa recebe a edição 2025 do Web Summit — um dos maiores eventos globais de tecnologia e inovação — o Brasil chega com uma delegação impressionante: mais de 370 startups e empresas inovadoras[1][2]. O evento, que ocorre de 10 a 13 de novembro em Portugal, marca um momento crucial para a internacionalização do ecossistema brasileiro de tecnologia, coordenado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Sebrae.
O Pavilhão Brasil foi inaugurado oficialmente no dia 11 de novembro, às 15h, pelos presidentes da ApexBrasil, Jorge Viana, e do Sebrae, Décio Lima, com a presença de autoridades como o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro[2]. A iniciativa reforça o compromisso da agência em apoiar a internacionalização das startups brasileiras — uma agenda estratégica em um cenário onde o país abriga mais de 20 mil startups e é hoje uma referência em inovação na América Latina[1].
Nordeste ganha espaço na cena global
Um destaque particular é a representatividade regional. Das 151 startups selecionadas pela ApexBrasil para o evento, 35 são do Nordeste (23,18%)[1]. Isso reflete uma mudança estrutural no ecossistema brasileiro: a região é atualmente responsável por cerca de 24,7% de todas as startups do país, sendo a segunda maior concentração, atrás apenas do Sudeste (35,8%), segundo dados do Observatório Sebrae Startups[1].
A descentralização da inovação no Brasil não é apenas um número. Representa startups com soluções tecnológicas escaláveis em diversos setores que despertam interesse de investidores globais. Para o Nordeste, especialmente, significa que o talento e a criatividade local estão prontos para a competição internacional.
Brasil lidera salários em tecnologia na América Latina
Enquanto as startups brasileiras conquistam espaço em Lisboa, dados recentes reforçam outra vantagem competitiva: a remuneração. O Brasil lidera a América Latina quando o assunto é salário para profissionais de tecnologia, segundo o relatório The State of Global Compensation 2025, da multinacional de recursos humanos Deel[3].
Engenheiros e cientistas de dados brasileiros recebem, em média, US$ 67 mil por ano — o equivalente a R$ 358,9 mil anuais, ou R$ 31,8 mil por mês[3]. Esse valor supera significativamente o registrado no México (US$ 48 mil) e na Argentina (US$ 42 mil). A análise abrangeu mais de 1 milhão de contratos em 150 países.
Porém, há uma ressalva importante: embora o Brasil lidere regionalmente, os profissionais brasileiros ainda ganham menos que seus pares nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido — que chegam a US$ 150 mil anuais, mais que o dobro da média brasileira[3].
Disparidade interna preocupa
O relatório também expõe um problema estrutural: enquanto áreas técnicas têm salários competitivos, profissionais de vendas, marketing, produtos e design ainda estão distantes dos padrões das principais potências[3]. Essa desigualdade interna pode prejudicar a retenção de talento em funções críticas para o crescimento das startups.
Micro e pequenas empresas movem a economia brasileira
Além do destaque das startups, o ecossistema empreendedor brasileiro como um todo segue em expansão. Em 2024, micro e pequenas empresas corresponderam a 96% da abertura de novas empresas no Brasil, de acordo com o Sebrae[4]. Dos 3,3 milhões de empreendimentos registrados no ano, 3,2 milhões foram de micro e pequenos negócios (MEI).
Esse segmento não apenas lidera a criação de novas empresas: também foi responsável pela criação de empregos formais no país. Juntas, essas empresas movimentam cerca de R$ 420 bilhões anuais, representando 30% do PIB[4]. Os números demonstram por que tendências de negócios para 2025 apontam para inovação, sustentabilidade e tecnologia como pilares.
Aposta em IA e personalização
Especialistas indicam que pequenos negócios devem investir em personalização de produtos e serviços, além de adotar tecnologias inovadoras, como inteligência artificial, para otimizar operações[4]. O cenário é desafiador, mas promissor: empresas que equilibram inovação e propósito estão mais preparadas para prosperar em 2025.
Iniciativas regionais reforçam ecossistema
Fora do eixo Rio-São Paulo, iniciativas regionais também ganham tração. Na Paraíba, o Governo premiou 20 empreendedores na edição 2025 da Expo Favela Innovation, investindo mais de R$ 1 milhão no evento[6]. Os cinco primeiros colocados receberam R$ 50 mil cada, enquanto os demais receberam R$ 40 mil, além de acesso a mentorias e capacitações especializadas[6].
Desde 2023, o governo paraibano já investiu mais de R$ 2 milhões em iniciativas que nasceram em comunidades e hoje geram renda, emprego e autoestima, conforme destacou a gestora de programas da Secties[6].
Inovação pública também marca presença
Em agenda paralela, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) lançou, na COP30, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como o primeiro Bem Público Digital do Brasil[5]. A iniciativa marca o reconhecimento internacional do CAR no catálogo da Digital Public Goods Alliance (DPGA), consolidando o protagonismo brasileiro na construção de um novo paradigma de cooperação entre países baseado em tecnologias abertas e interoperáveis[5].
O que muda daqui para frente
O panorama atual revela um Brasil em transformação. As startups brasileiras estão conquistando visibilidade internacional no Web Summit Lisboa, o país lidera salários em tecnologia na América Latina, e pequenos negócios movem a economia com força. Ao mesmo tempo, iniciativas públicas e regionais reforçam um ecossistema cada vez mais descentralizado e inclusivo.
O desafio agora é sustentar esse crescimento, reduzir as disparidades salariais em funções não técnicas e garantir que a inovação chegue além dos grandes centros. Se o Brasil conseguir isso, 2025 pode ser o ano em que o país consolida sua posição não apenas como referência latino-americana, mas como player relevante na cena global de tecnologia e inovação.
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