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Brasil e EUA: tensão comercial e avanço das startups
Na última semana, o cenário econômico global foi marcado por tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, além de avanços significativos no setor de tecnologia e startups brasileiras. O encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio, em Washington, foi o ponto alto das negociações diplomáticas, com foco nas tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil.
Tensão comercial entre Brasil e EUA
O governo brasileiro busca reverter as tarifas de 40% sobre produtos exportados aos EUA, que afetam diretamente setores como agronegócio, siderurgia e manufaturados. A reunião entre Vieira e Rubio, a terceira desde a posse do secretário americano, reforça o esforço diplomático para amenizar o impacto dessas medidas. O Plano Brasil Soberano, ampliado pelo governo federal, agora exige apenas 1% de impacto nas exportações para que empresas possam acessar linhas de financiamento, contra 5% anteriormente.
Segundo dados do Ministério da Fazenda, cerca de 1.200 empresas já solicitaram apoio financeiro desde o início do programa. O objetivo é mitigar perdas e manter a competitividade internacional dos setores afetados.
Bolsa brasileira atinge novo recorde
Enquanto a tensão comercial domina as manchetes, o mercado financeiro brasileiro vive um momento de euforia. O Ibovespa, índice da B3, encerrou a última sessão acima de 155 mil pontos, com alta de 0,77% — o 14º dia consecutivo de valorização. A bolsa acumula alta de 29,08% em 2025, a maior desde 2019.
As ações de petroleiras, mineradoras e bancos lideram o movimento, mas o destaque fica para as empresas de tecnologia e startups. Levantamento da Elos Ayta mostra que 14 ações do Ibovespa e do Small Caps já dobraram de valor em 2025. Cogna (COGN3) lidera o ranking, com valorização de 240,16%, seguida por Movida (MOVI3) e Moura Dubeux (MDNE3), ambas com mais de 190% de alta.
Setor de startups aquecido
O setor de startups brasileiras também registra crescimento expressivo. Segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o ecossistema nacional atraiu mais de R$ 12 bilhões em investimentos em 2025, com destaque para empresas de fintechs, saúde digital e educação tecnológica.
Empresas como Cogna, Ser Educacional e Ânima, todas do setor de educação, acumulam valorizações superiores a 150% no ano. O otimismo é impulsionado pela expansão do ensino digital e pela retomada dos resultados no setor de serviços educacionais.
Impactos e perspectivas
As decisões do Banco Central sobre a taxa Selic e a inflação oficial em outubro serão cruciais para o cenário econômico nos próximos meses. Caso a inflação venha mais baixa que o previsto, há expectativa de que o Copom inicie cortes de juros já em janeiro, o que pode estimular ainda mais a migração de investimentos para a bolsa de valores.
Enquanto isso, o governo brasileiro intensifica o diálogo com parceiros internacionais para proteger o setor produtivo e promover o crescimento sustentável. O avanço das startups e o aquecimento do mercado de ações indicam que o Brasil está se posicionando como um dos principais hubs de inovação da América Latina.
Photo by Agustin Diaz Gargiulo on Unsplash






