Delegação recorde leva 370 empresas brasileiras para o maior evento de tecnologia do mundo
O Brasil chega ao Web Summit Lisboa 2025 com força máxima. Mais de 370 startups e empresas inovadoras de todas as regiões do país desembarcam em Portugal entre 10 e 13 de novembro para disputar espaço, investimentos e parcerias internacionais em um dos maiores eventos globais de tecnologia. A delegação, coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Sebrae, marca presença estratégica em um cenário onde mais de 70 mil pessoas circulam pelo evento.
O Pavilhão Brasil foi oficialmente inaugurado nesta terça-feira (11 de novembro) pelos presidentes da ApexBrasil, Jorge Viana, e do Sebrae, Décio Lima, consolidando o compromisso institucional com a internacionalização do ecossistema de inovação brasileiro.
Nordeste em destaque: descentralização que ganha força
Um dado chama atenção na delegação: 35 startups nordestinas integram a comitiva brasileira, representando 23,18% das 151 empresas selecionadas pela ApexBrasil. O número reflete uma realidade que o mercado já conhece, mas que precisa de reforço: o Nordeste é hoje responsável por 24,7% de todas as startups do Brasil, sendo a segunda região com maior concentração de empresas inovadoras, atrás apenas do Sudeste (35,8%).
Essa descentralização da inovação não é mero acaso. Representa anos de investimento em infraestrutura, aceleradoras regionais e políticas de fomento. O Nordeste, historicamente visto como periférico na agenda de tecnologia nacional, consolida-se como polo relevante e promete mostrar sua força em um dos principais palcos globais de inovação.
O contexto brasileiro: números que impressionam e desafios que permanecem
Mais de 20 mil startups em movimento
O Brasil abriga atualmente mais de 20 mil startups, número que não para de crescer. O país consolidou-se como referência em inovação na América Latina, com soluções tecnológicas escaláveis em diversos setores que despertam interesse de investidores e empresas globais.
Esse ecossistema dinâmico reflete-se também na economia real. Em 2024, micro e pequenas empresas responderam por 96% da abertura de novos negócios no Brasil. Dos 3,3 milhões de empreendimentos registrados, 3,2 milhões foram de micro e pequenos negócios. Juntas, essas empresas movimentam cerca de R$ 420 bilhões anuais, representando 30% do PIB nacional.
Salários em tecnologia: liderança regional com ressalvas
O Brasil lidera a América Latina em remuneração para profissionais de tecnologia. Segundo o relatório The State of Global Compensation 2025 da Deel, que analisou mais de 1 milhão de contratos em 150 países, engenheiros e cientistas de dados brasileiros recebem em média US$ 67 mil por ano — equivalente a cerca de R$ 358,9 mil anuais, ou R$ 31,8 mil mensais.
O valor supera o registrado no México (US$ 48 mil anuais) e na Argentina (US$ 42 mil anuais). Porém, quando comparado aos líderes globais — Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, com médias de US$ 150 mil anuais — a diferença é abismal: mais que o dobro.
Há, contudo, uma disparidade interna preocupante. Enquanto áreas técnicas desfrutam de salários competitivos, profissionais de vendas, marketing, produtos e design ainda estão distantes dos padrões das principais potências tecnológicas globais.
Inovação além do mercado: o Brasil na agenda climática
Enquanto startups disputam investimento em Lisboa, o Brasil também marca presença na agenda de inovação pública. Na COP30, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) lançou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como o primeiro Bem Público Digital brasileiro, reconhecido internacionalmente como Rural Environmental Registry (RER) no catálogo da Digital Public Goods Alliance (DPGA).
O movimento sinaliza uma visão ampliada de inovação: não apenas a que gera lucro, mas a que contribui para sustentabilidade e desenvolvimento. A ministra da Gestão, Esther Dweck, reforçou o posicionamento: “A tecnologia deve andar lado a lado com a sustentabilidade e com o compromisso com a justiça social.”
O que muda para empreendedores em 2025
As tendências para 2025 apontam para um cenário onde pequenos negócios devem investir em personalização de produtos e serviços, além de adotar tecnologias inovadoras como inteligência artificial para otimizar operações. Marketing com valores éticos e sustentáveis também emerge como diferencial competitivo.
O desafio permanece: empresas que equilibram inovação e propósito estão mais preparadas para prosperar em um cenário dinâmico e desafiador. Para o Brasil, isso significa não apenas exportar startups e tecnologia, mas consolidar um modelo de inovação que seja inclusivo, sustentável e capaz de transformar a realidade econômica de diferentes regiões.
Photo by Annie Spratt on Unsplash






