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Ibovespa segue em alta enquanto governo reforça proteção contra tarifas dos EUA
O mercado financeiro brasileiro continua em euforia. O Ibovespa encerrou segunda-feira (10) aos 155.257 pontos, com alta de 0,77%, marcando a 14ª alta consecutiva e batendo novo recorde histórico. A sequência de ganhos aproxima o índice de igualar a marca de 15 altas seguidas registrada em maio e junho de 1994, pouco antes do Plano Real.
No acumulado de 2025, a bolsa brasileira sobe 29,08%, a maior valorização anual desde 2019, quando registrou ganho de 31,58%. Apenas em outubro, o índice avançou 3,82%.
Dólar recua e câmbio favorece investimentos
O desempenho positivo não se limita às ações. O dólar comercial fechou segunda-feira a R$ 5,307, com recuo de R$ 0,029 (-0,55%). A divisa acumula queda de 1,36% em novembro e de 14,12% em 2025, refletindo o otimismo com a economia brasileira.
Analistas apontam que juros mais baixos estimulam a migração de investimentos para a bolsa de valores. O mercado aguarda sinais do Banco Central sobre quando começará a reduzir a Taxa Selic, com expectativa de cortes já em janeiro de 2026 caso a inflação de outubro venha abaixo do previsto.
Ações com maior valorização em 2025
Enquanto o índice geral avança, algumas ações se destacam ainda mais. A Cogna (COGN3) lidera com valorização de 240,16%, impulsionada pela reestruturação financeira e retomada de resultados no setor educacional. Movida (MOVI3) vem em seguida com 199,03% de ganho, seguida por Moura Dubeux (MDNE3) com 194,04%. No total, 14 ações do Ibovespa e Small Caps dobraram de valor em 2025.
Governo amplia proteção contra tarifas americanas
Enquanto a bolsa celebra recordes, o governo federal trabalha para proteger empresas dos impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos. O Plano Brasil Soberano foi ampliado nesta semana, com redução do impacto mínimo nas exportações exigido para acesso ao financiamento: de 5% para apenas 1%.
A medida também aumenta a abrangência setorial, contemplando fornecedores de setores afetados. Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, o governo busca equilibrar negociações com medidas de apoio ao setor produtivo.
Negociações comerciais em andamento
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se nesta quarta-feira (12) com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em Niágara, no Canadá, durante reunião do G7. Os dois discutiram o avanço das tratativas bilaterais sobre tarifas comerciais.
O Brasil enviou proposta formal aos Estados Unidos no dia 4 de novembro, após reunião virtual entre equipes técnicas dos dois países. Especialistas alertam que investimentos diretos norte-americanos no Brasil podem sofrer redução caso as negociações não avancem.
Resultados corporativos mostram cenário misto
No terceiro trimestre de 2025, resultados de grandes empresas revelaram desempenho heterogêneo. A Casas Bahia apresentou crescimento de receita e melhoria de EBITDA graças à maior eficiência operacional, com vendas avançando em todas as frentes — marketplace, lojas físicas e venda direta.
O Banco do Brasil, porém, decepcionou. Seu EBT ficou 11% abaixo do esperado devido ao aumento de provisões, pressionadas pela postergação de renegociações no segmento rural. A deterioração da qualidade de ativos levou o banco a revisar para baixo o guidance de lucro e elevar previsões de provisões.
Photo by Anne Nygård on Unsplash






