Podcast sobre a materia – ouca no Spotify
Economia global em encruzilhada: protecionismo versus cooperação climática
A semana de 8 a 13 de novembro de 2025 marca um ponto de inflexão para a economia global. Enquanto o Canadá revoga impostos sobre bens de luxo e reforça sua liderança em sustentabilidade na COP30, os sinais de uma possível escalada protecionista vinda dos EUA já moldam as estratégias de investimento em todo o mundo. Este artigo apresenta previsões de futuro baseadas em tendências atuais e não deve ser interpretado como notícia.
O que está acontecendo agora
No início de novembro, o Canadá eliminou o imposto sobre bens de luxo — movimento simbólico que sinaliza uma mudança na estratégia econômica para 2025[2]. Simultaneamente, durante a COP30, o país reforçou seu compromisso com a padronização do mercado global de carbono, apoiando a proposta brasileira ao lado de 12 outras nações[2]. Na China, a reabertura do mercado ao frango brasileiro impulsiona relações comerciais bilaterais[2].
Do lado dos investimentos, a carteira de ações globais da XP Investimentos reflete essa tensão: há redução de exposição em tecnologia (-2,3 pontos percentuais) e aumento em setores defensivos como financeiro (+4,7pp) e comunicações[1]. A região da Grande China ganhou +7,6pp de peso nas carteiras, enquanto a Ásia-Pacífico perdeu -10,0pp[1].
Cenário previsto: três frentes de transformação
1. Protecionismo comercial e fragmentação de cadeias
Com a vitória de Donald Trump e promessas de tarifas de até 10% sobre bens da União Europeia, espera-se uma escalada no agravamento de taxas aduaneiras em 2025[3]. As previsões indicam que o comércio internacional enfrentará disrupções crescentes do lado da oferta — clima, geopolítica e saúde — obrigando empresas a repensar suas cadeias logísticas[3].
Impacto previsto: empresas brasileiras exportadoras devem diversificar mercados de destino e considerar investimentos em relocalização de produção. Setores de tecnologia e manufatura enfrentarão pressão de margens.
2. Transição verde como diferencial competitivo
A cooperação climática durante a COP30 não é apenas retórica. O relatório “What’s Next 21” prevê que alterações climáticas forçarão leis mais rígidas e que a sociedade civil pressionará líderes por ações concretas[4]. A agenda pró-recursos naturais exigirá soluções que integrem produtividade, crescimento econômico e impacto ambiental reduzido[4].
Simultaneamente, 2025 deve ser o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado, com temperaturas médias globais de 1,42 °C ± 0,12 °C acima da média pré-industrial[7]. A capacidade global de energia renovável continua se expandindo, tornando a integração de dados climáticos essencial em toda a cadeia de valor energética[7].
Impacto previsto: empresas que não investirem em sustentabilidade enfrentarão pressão regulatória crescente. Setores de energia renovável, eficiência energética e economia circular ganharão aceleração de investimentos.
3. Viagens de luxo e comportamento de consumo em transformação
Contraintuitivamente, enquanto a economia global enfrenta riscos, viagens de luxo ganham força. No segundo trimestre de 2025, a parcela de viajantes usando filtros de experiência de luxo dobrou em relação ao trimestre anterior[5]. A América Latina (LATAM) impulsionou o maior crescimento de buscas de viagens em relação ao ano anterior, com 25%[5].
Impacto previsto: polarização do consumo: enquanto a classe média enfrenta erosão em países desenvolvidos, segmentos de alta renda continuam consumindo experiências premium. Setores de turismo, hotelaria e experiências de luxo no Brasil devem se beneficiar.
Cenário de médio prazo (2026-2030)
As instituições internacionais preveem crescimento da economia em 2025, mas com fatores de risco elevados[3]. Estruturalmente, a população urbana mundial aumentará 72% até 2050, com as cidades se tornando os principais agentes de criação de empregos[4]. Novos acrônimos econômicos emergem: Mint (México, Indonésia, Nigéria e Turquia) e Sick (Síria, Índia, Coreias Unificadas) começam a disputar influência com os Brics[4].
A cibersegurança se consolida como investimento imprescindível, enquanto a inteligência artificial acelera a transformação digital em todos os setores[6]. A globalização digital continua, mas em padrão mais fragmentado — menos “aldeia global” e mais “blocos regionais conectados”[4].
O que muda para você
Se você investe: diversifique geograficamente, aumente exposição em energia renovável e tecnologia defensiva. Redobre atenção em setores expostos a tarifas comerciais.
Se você empreende: acelere a transição para modelos sustentáveis, invista em cibersegurança e considere parcerias com mercados emergentes fora do eixo EUA-Europa.
Se você trabalha: setores de energia, sustentabilidade, tecnologia e turismo de luxo devem gerar mais oportunidades. Habilidades em análise de dados climáticos e segurança digital ganham valor exponencial.
Photo by Kelly Sikkema on Unsplash






