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Bolsa brasileira ultrapassa 157 mil pontos em sequência inédita desde 1997
A Bolsa de Valores brasileira (Ibovespa) renovou seu recorde histórico nesta terça-feira, 11 de novembro, fechando o pregão acima dos 155 mil pontos e atingindo máximas de 157.800 pontos durante o dia. O índice acumula agora 11 pregões consecutivos de recordes e 14 dias seguidos de alta, marcando a maior sequência de ganhos desde 1997.
O desempenho impressionante reflete um movimento de recuperação que elevou a Bolsa em 29% em reais (quase 50% em dólares) em um período recente. No fechamento de terça-feira, o Ibovespa subiu 0,77%, com a maioria das ações operando em alta.
Destaques do pregão
Entre os papéis que mais subiram, destacam-se Lojas Renner com ganhos de 3,94%, Rizen com avanço de 3,5% e Magazine Luiza (Magalu) com alta de 3,44%. Outras ações relevantes também apresentaram ganhos significativos: CVC subiu 6%, Localiza avançou 5,87% e BTG Pactual ganhou 4,16%.
Por outro lado, poucas ações operaram em queda. Natura despencou 15%, enquanto Porto Seguro caiu 2,97%, Red Door recuou 1,57% e BB Seguridade perdeu 1,54%.
Contexto econômico favorável
A aprovação do fim do shutdown pelo Senado dos EUA contribuiu para o otimismo nos mercados globais. Internamente, a inflação ao consumidor desacelerou no Brasil em outubro, com o IPCA subindo apenas 0,09%, marcando a menor alta para o mês desde 1998.
A balança comercial brasileira também apresenta sinais positivos. Até a primeira semana de novembro, a corrente de comércio chegou a US$ 540,8 bilhões, com superávit de US$ 1,811 bilhão. As exportações totalizaram US$ 7,8 bilhões e as importações US$ 5,9 bilhões, representando crescimento de 7,1% na corrente de comércio comparado ao mesmo período de 2024.
Ceticismo entre gestores
Apesar dos números expressivos, há desconfiança entre investidores locais sobre a sustentabilidade da alta. Analistas apontam que o país enfrenta juros elevados, incerteza política e problemas estruturais que não justificam plenamente a valorização. Alguns gestores, como a UBS, acreditam que melhores retornos estão em tecnologia nos EUA e Ásia, não em commodities brasileiras.
O consenso entre especialistas é que se trata de um rali de curto prazo impulsionado por fluxo externo, não de confiança estrutural nos fundamentos do país. Quando esse fluxo mudar de direção, a Bolsa pode sofrer quedas rápidas.
Photo by Vadim Shevyrin on Unsplash






