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Parcerias estratégicas marcam semana de inovação brasileira
O Brasil consolidou esta semana avanços significativos em duas frentes tecnológicas: a cooperação com a China em radiofármacos e o protagonismo nas negociações climáticas da COP30, em Belém. Os movimentos refletem a aposta do país em autonomia tecnológica e sustentabilidade.
Radiofármacos: Brasil e China ampliam parceria nuclear
Nesta quinta-feira (13), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, se reuniu com o presidente do Conselho da Corporação de Isótopos e Radiação da China (Circ), Xiao Yafei, para fortalecer a produção de radiofármacos — insumos essenciais para diagnósticos e tratamentos de câncer e outras doenças.
O acordo prevê expansão da produção nacional pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), compartilhamento de tecnologia e proteção à propriedade intelectual. A novidade: a parceria poderá avançar ao longo de 2026, com a criação de uma subsidiária no Brasil e formação de equipe especializada.
Luciana Santos destacou o progresso nas tratativas bilaterais: “As conversas regulares entre nossas equipes têm permitido avanços importantes na definição dos aspectos técnicos, comerciais e jurídicos”. Xiao Yafei reafirmou o compromisso chinês em aprofundar a cooperação na área de tecnologia nuclear.
COP30: transparência climática e inovação verde
Na quarta-feira (12), o Brasil abriu diálogo ministerial sobre transparência do Acordo de Paris, celebrando o primeiro ciclo da estrutura aprimorada. Até 15 de abril deste ano, mais de 100 relatórios bienais de transparência foram submetidos — abrangendo cerca de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa.
A Finep, agência vinculada ao MCTI, apresentou investimentos robustos em inovação climática. Desde 2023, mais de 400 startups foram apoiadas por programas como Tecnova, Centelha e Inovacred. Três novas chamadas públicas foram anunciadas, incluindo o edital Pró-Amazônia, que destina R$ 150 milhões para infraestrutura de pesquisa na Amazônia Legal.
Os temas prioritários incluem descarbonização do transporte, combustíveis sustentáveis, geração e armazenamento de energia, bioeconomia e economia circular.
Desafio: transferência de tecnologia para países em desenvolvimento
Apesar dos avanços, a diretora executiva da COP30 sinalizou que tecnologia será um dos temas com maior dificuldade nas negociações. O Acordo de Paris prevê transferência de tecnologia e capacitação para auxiliar países mais pobres — questão que não obteve acordo na reunião preparatória de Bonn, em junho.
As negociações prosseguem até 21 de novembro, com 145 temas prioritários em discussão.
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