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Tecnologia avança, mas deixa rastro ambiental pesado
Enquanto a inteligência artificial promete revolucionar setores inteiros da economia, um desafio silencioso ganha proporções gigantescas: o consumo de energia e água dos data centers que alimentam essas máquinas. A expansão das empresas de IA vai exigir um consumo sem precedentes de recursos naturais, criando uma tensão entre inovação e sustentabilidade que os governos e empresas ainda não resolveram completamente.
O custo invisível dos data centers
Os chips dos computadores que rodam inteligência artificial esquentam intensamente durante o processamento. Para manter esses sistemas funcionando 24 horas por dia, é necessário um sistema complexo de resfriamento: ar-condicionado em larga escala e tubulações com água fria que circulam constantemente pelos equipamentos. Depois de passar pelos computadores, essa água esquenta e é descartada.
O paradoxo é curioso: enquanto o Vale do Silício se promove como centro da inovação de ponta, seu maior gasto energético é em ar-condicionado. Segundo Christopher Wellise, vice-presidente de sustentabilidade da Equinix, a remoção de calor é tão crítica que apenas ventiladores não resolvem — é preciso infraestrutura de refrigeração massiva.
Energias renováveis não acompanham a demanda
Empresas de tecnologia e data centers assinam contratos de longo prazo com fornecedores de energia renovável, pagando para que ampliem a produção. Porém, toda a energia gerada entra em um mesmo sistema, impossibilitando rastrear qual eletron veio de qual fonte — como explica Fernando Valle, especialista em sustentabilidade.
O cenário ficou mais complexo recentemente. O governo de Donald Trump ordenou a paralisação de novos projetos de energia eólica e solar nos Estados Unidos, criando incerteza sobre a capacidade de as empresas continuarem gerando energia renovável em ritmo acelerado.
Brasil aposta em tecnologia nuclear e bioeconomia
Enquanto o mundo debate o custo ambiental da IA, o Brasil traça um caminho diferente. Nesta quinta-feira (13), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, se reuniu com o presidente do Conselho da Corporação de Isótopos e Radiação da China para fortalecer a cooperação em radiofármacos — insumos essenciais para diagnósticos e tratamentos de câncer.
A parceria prevê expansão da produção nacional pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), transferência de tecnologia e proteção à propriedade intelectual. A expectativa é que a subsidiária chinesa comece a operar no Brasil ao longo de 2026, gerando maior autonomia tecnológica na área de saúde.
Inovação verde na COP30
Na COP30, em Belém, a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) destacou o papel da inovação tecnológica e do financiamento verde. Entre 2023 e agora, mais de 400 startups foram apoiadas por programas como Tecnova, Centelha e Inovacred. Três novas chamadas públicas foram anunciadas, incluindo o edital Pró-Amazônia, que destina R$ 150 milhões para infraestrutura de pesquisa na Amazônia Legal.
Os temas prioritários incluem descarbonização do transporte, combustíveis sustentáveis, geração e armazenamento de energia, bioeconomia e economia circular.
Transferência de tecnologia segue travada
Apesar dos avanços, a transferência de tecnologia entre países desenvolvidos e em desenvolvimento permanece como um dos temas mais difíceis nas negociações climáticas. O Acordo de Paris prevê essa transferência para auxiliar nações mais pobres em ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, mas o tema saiu sem acordo da reunião preparatória de Bonn, em junho.
Para os países em desenvolvimento, essa transferência é essencial para acelerar planos de adaptação climática e cumprir suas metas nacionais de redução de emissões.
Photo by Igor Omilaev on Unsplash





